Produção Audiovisual e a Cultura Popular Nordestina

A Profª Luciana Boeira da Faculdade Anísio Teixeira, é Mestre em Desenho, Cultura e Interatividade, ensina as disciplinas Produção Gráfica, Produção de Vídeo I e Produção de Áudio para a Publicidade. Enquanto pesquisadora concentra seu estudos na produção e veiculação da Cultura Popular Nordestina, especificadamente a Sertaneja. E, no sentido de levar este conhecimento até os alunos, incentiva a pesquisa, a produção artística e comercial, sugerindo a cultura popular nordestina como tema dos trabalhos realizados.

Para Boeira, “a maioria dos alunos de Comunicação, especialmente os de Publicidade e Propaganda são extremamente criativos e, quando se trata de atividades que visam à realização de peças audiovisuais eles se tornam bem mais imaginativos, pois são tomados pela áurea da produção cinematográfica – é como estivessem fazendo um filme de longa metragem. A empolgação é geral, e se repete em todas as turmas que trabalhei até hoje. Desta forma, aproveitando a oportunidade e o dedicado envolvimento dos alunos, uso a nossa Cultura como fonte de inspiração para as suas criações”.

O semestre disciplinar de Produção de Vídeo I é dividido em duas fases distintas: aulas teóricas onde é apresentada a linguagem cinematográfica com os seus códigos de produção do sentido; e atividades práticas, quando os alunos recebem os temas para o desenvolvimento do argumento, roteiro e produção de seus filmes. Os trabalhos são desenvolvidos em equipes nas quais os alunos se dividem e assumem funções de acordo com o próprio talento. Simula-se em cada grupo uma equipe de produção cinematográfica, certa que distante da experiência real de uma equipe de produção, que a depender do filme, recorre até mais de uma centena de profissionais. Porém, nos trabalhos, um só aluno acumula diversas funções, pois não importa o tempo de duração, sempre serão produzidos cenários e figurinos para as imagens; diálogos, músicas e efeitos para as trilhas sonoras; roteiro de edição e etc.

O fato de recorrer a Cultura Popular Nordestina como tema das produções é uma opção que vai além do particular, é providencial. Já nos cursos de Publicidade e Propaganda, onde o objetivo é apresentar e ensinar produções com fins comerciais. No entanto, antes de mostrar como se vende um produto, deve-se atentar para quem se vende - daí cultura local como cenário. Os vt’s institucionais e comerciais produzidos e veiculados nas emissoras locais são destinados aos habitantes daqui, então por que a maioria recorre a cenários que não fazem parte da nossa paisagem? Por que buscam-se músicas eletrônicas como BG (música de fundo) e não o samba-de-roda? Este é um questionamento que vai além das salas de aulas dos cursos de Publicidade e Propaganda e chega até discussões e teorias que tentam explicar a comunicação homogeneizada do mundo globalizado.

“O que procuro fazer é cumprir meu papel de professora, visando a aprendizagem, a produção de conhecimento, ampliação e transmissão do saber e da cultura, principalmente da nossa cultura, pois precisamos nos ver e ouvir, e nos reconhecer na televisão, no rádio, no cinema e também na Internet. Desta forma, observamos e escrevemos a nossa história, contamos o nosso folclore, cantamos a nossa música, dançamos o nosso ritmo e alimentamos a nossa memória. As conseqüências disso tudo? ”, complementa Boeira. O parque arquitetônico preservado; o artesanato valorizado; a educação elevada; e principalmente, uma sustentabilidade que gera empregos, renda e saúde, ou seja, elevação da auto-estima do povo. Colocar a Cultura Popular local como ponto de partida de trabalhos acadêmicos não é espelho de uma visão preservacionista, e sim a concepção de professores, orientadores, devem ensinar os alunos a primeiramente se olharem, se compreender, para depois comunicar.

Nos casos dos vídeos apresentados, produzidos pela turma de Produção de Vídeo I, 2008.2, teve como cenários o Litoral e o Sertão da Bahia. Os alunos tiveram como temas Educação Ambiental e Saúde, onde para cada um foi estipulado um ambiente social. Os alunos tiveram total liberdade de criação e produção. “Eu acompanhei os trabalhos no sentido de orientar, estimular e agilizar a produção dos vt’s. Os profissionais técnicos, Johnny na edição, e Rogerinho na produção e filmagens, foram o apoio decisivo para que estes trabalhos fossem realizados. O resultado da disciplina foi positivo e de extrema satisfação para todos os envolvidos”, disse a professora.

 

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