Dados da educação brasileira são desalentadores nos últimos 10 anos

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O tema educação é abordado por todos os candidatos que disputam o Palácio do Planalto. Para eles, ela é a base de formação para cidadãos aptos para viver em um mundo cada vez mais globalizado. No entanto, uma parcela significativa da população brasileira ainda não tem acesso ao ensino formal. O ciclo escolar se completa em 12 anos com os ensinos fundamental e médio. Contudo, um levantamento feito pelo IBGE em 2005 constatou que o brasileiro fica menos tempo na escola do que seria necessário. A pesquisa também levantou o tempo de permanência na escola, e constatou que a freqüência é maior até os 14 anos de idade. O cientista social Adolfo Ignacio Calderón analisou os desafios da educação no Brasil em entrevista ao UOL News. "Os dados brasileiros na área de educação são desalentadores nos últimos 10 anos. O maior desafio de todos está dentro da agenda: a aprovação e implementação do Fundeb (Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Os recursos chegam, mas os dados do Ministério Público Federal são alarmantes em termos de má utilização. É preciso garantir que esses recursos sejam utilizados nas pontas, nos municípios", analisou. "As administrações municipais têm de definir junto com a população quais são as áreas prioritárias para o investimento dos recursos da educação. Se é na formação de professores, na preparação para lidar com crianças e jovens de necessidades especiais, para lidar com orientação sexual. Cada município tem que ter autonomia para detectar suas fragilidades. Um grande desafio é potencializar a participação da população e o controle social", observou. Políticas afirmativas como a questão das cotas para negros nas universidades são vistas com bons olhos por Calderón. "A principal porta de acesso a uma universidade é uma boa educação básica, mas sou a favor das cotas. Acho importante para estabelecer novos referenciais." Próximo governo Calderón disse que um problema sério no Brasil é que a maioria dos governantes pensa em políticas publicas de governo e não de Estado. "Não adianta chegar e falar "tudo o que meu antecessor fez é ruim" e mudar. A grande questão é avaliar o que foi feito e pensar em termos de Brasil o que ainda é preciso fazer." A questão das universidades públicas é um tema que deve ser analisado no próximo governo, na opinião do cientista social. "A situação da universidade pública é aguda, mas acredito que temos de dar um choque. Está na hora de quebrar alguns mitos. Quem tem condição de pagar acredito que tem pagar sim", disse. "Os governos devem perder o preconceito em relação ao setor privado. A idéia de que toda universidade privada é mercantil está errada. Isso não é a realidade. Existem universidades sérias, que investem em pesquisas."

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